sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Noel Rosa, Getúlio Vargas e o crash da bolsa de Nova York

Noel Rosa e Braguinha abusam da ironia para criticar as atitudes do governo provisório de Getúlio Vargas, que chegou ao poder através de um golpe em 1930. Getúlio pedia ao povo que tivessem boa vontade, otimismo e alegria para enfrentar a crise que se abatia no Brasil, agravada pela quebra na bolsa de Nova York em 1929. Os preços das commodities estavam em queda e o governo brasileiro descartou milhares de sacas de café para conter o preço.
Tudo isso neste samba histórico.
"Samba da Boa Vontade"
(Campanha da boa vontade)
Viver alegre hoje é preciso
Conserva sempre o teu sorriso
Mesmo que a vida esteja feia
E que vivas na pirimba
Passando a pirão de areia
Gastei o teu dinheiro
Mas não tive compaixão
Porque tenho a certeza
Que ele volta à tua mão
Se ele acaso não voltar
Eu te pago com sorriso
E o recibo hás de passar
(Nesta questão solução sei dar)
Neste Brasil tão grande
Não se deve ser mesquinho
Quem ganha na avareza
Sempre perde no carinho
Não admito ninharia
Pois qualquer economia
Sempre acaba em porcaria
(Minha barriga não está vazia)
Comparo o meu Brasil
A uma criança perdulária
Que anda sem vintém
Mas tem a mãe que é milionária
E que jurou batendo o pé
Que iremos à Europa
Num aterro de café
(Nisto eu sempre tive fé)

E se vivêssemos todos juntos (filme)



Ano: 2012
Dirigido por: Stéphane Robelin
Elenco; Jane Fonda, Pierre Richard, Geraldine Chaplin
País: Alemanha, França
O filme trata da questão do envelhecimento, do abandono, do que fazer da vida quando ela está no fim, e não há mais grandes expectativas.
Segue a linha do "Exótico Hotel Marigold".
Cinco amigos  se conhecem há mais de 40 anos e começam a enfrentar os problemas da velhice e resolvem viver juntos.


domingo, 23 de fevereiro de 2014

Pesquisa divide classe média em promissores e batalhadores; qual você é?

UOL 23/02/2014

O Instituto Data Popular e a Serasa Experian divulgaram nesta terça-feira (18) um estudo que divide a nova classe média brasileira em quatro perfis: promissores, batalhadores, experientes e empreendedores.
O Data Popular considera como pessoas pertencentes à classe média aquelas com renda familiar mensal de R$ 1.694 a R$ 3.094.
Cerca de 108 milhões de brasileiros, ou 54% da população, fazem parte desse grupo atualmente. Se formasse um país, a classe média brasileira ocuparia a 12ª posição em número de habitantes, à frente, por exemplo, de Alemanha, Egito e França.
Para dividir esses consumidores em quatro perfis, o Data Popular e a Serasa Experian consideraram apenas aqueles que têm mais de 16 anos, ou quase 77 milhões de pessoas.

Jovens, solteiros e com carteira assinada

O que o estudo classifica como "promissores" são, em sua maioria, solteiros, com ensino médio completo, idade média de 22,2 anos e emprego com carteira assinada. Eles totalizam 14,7 milhões de pessoas e gastaram, juntos, R$ 230,8 bilhões, principalmente com beleza, veículos, educação, entretenimento, itens para casa e tecnologia.
Para eles, a vida é feita de oportunidades e o acesso a crédito ajuda a melhorar a condição financeira. Segundo o estudo, porém, mais da metade, ou 51% das pessoas que se encaixaram nesse perfil, já tiveram algum descontrole financeiro.
Os "batalhadores" são, segundo o Data Popular e a Serasa Experian, 30,3 milhões de pessoas (39%). É o maior grupo e o que mais consumiu no ano passado: suas despesas chegaram a R$ 388,93 bilhões. Eles têm idade média de 40,4 anos.
São pessoas que veem, no emprego, o caminho para a estabilidade e para a realização de sonhos e desejos. Integrantes desse grupo gastam seu dinheiro sobretudo em turismo nacional, veículos, eletroeletrônicos, imóveis, movéis, eletrodomésticos e seguros.

Aposentados que se mantêm no mercado de trabalho

Outro perfil detalhado pelo estudo tem 20,5 milhões de pessoas (26%) e classifica os integrantes com "experientes".
São pessoas com idade média de 65,8 anos, muitas aposentadas. Para eles, o momento pós-aposentadoria pode ser sinônimo de depressão e preconceito por parte dos mais jovens. Por isso muitos se mantêm no mercado de trabalho.
O seu consumo anual é de R$ 274 bilhões e está relacionado a turismo nacional, eletroeletrônicos, serviços de saúde, móveis e eletrodomésticos.
Já os "empreendedores" são 11,6 milhões de pessoas (16%) com idade média de 43 anos e maior escolaridade do que os demais. Eles valorizam a liberdade e consideram que o trabalho deve ser responsável pelo sustento, mas é importante fazerem uma atividade de que gostam.
É o grupo com maior renda per capita e seu consumo total chegou a R$ 276 bilhões no ano passado. Os principais gastos foram com educação, eletroeletrônicos, turismo internacional, tecnologia, veículos e entretenimento.

Nova classe média gastou R$ 1,17 trilhão em 2013

O estudo "Faces da Classe Média" demorou um ano para ser finalizado e tem por objetivo ajudar empresas, agências de publicidade e governos a elaborar ações com foco nesses consumidores.
Segundo o estudo, a nova classe média brasileira gastou, no ano passado, R$ 1,17 trilhão. Essa camada da população foi responsável por movimentar 58% do crédito concedido no país no ano passado.
A expectativa, segundo o estudo, é que, até 2028, 58% dos brasileiros façam parte dessa camada da população, o que vai significar 125 milhões de pessoas dentro de uma população total estimada de 216 milhões de habitantes.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Esclarece sobre os riscos decorrentes da aquisição das chamadas "moedas virtuais" ou "moedas criptografadas" e da realização de transações com elas.

Comunicado Nº 25.306, de 19 de Fevereiro de 2014
 
 
Esclarece sobre os riscos decorrentes da aquisição das chamadas "moedas virtuais" ou "moedas criptografadas" e da realização de transações com elas.
 

O Banco Central do Brasil esclarece, inicialmente, que as chamadas moedas virtuais não se confundem com a “moeda eletrônica” de que tratam a Lei nº 12.865, de 9 de outubro de 2013, e sua regulamentação infralegal. Moedas eletrônicas, conforme disciplinadas por esses atos normativos, são recursos armazenados em dispositivo ou sistema eletrônico que permitem ao usuário final efetuar transação de pagamento denominada em moeda nacional. Por sua vez, as chamadas moedas virtuais possuem forma própria de denominação, ou seja, são denominadas em unidade de conta distinta das moedas emitidas por governos soberanos, e não se caracterizam dispositivo ou sistema eletrônico para armazenamento em reais.
2. A utilização das chamadas moedas virtuais e a incidência, sobre elas, de normas aplicáveis aos sistemas financeiro e de pagamentos têm sido temas de debate internacional e de manifestações de autoridades monetárias e de outras autoridades públicas, com poucas conclusões até o momento.
3. As chamadas moedas virtuais não são emitidas nem garantidas por uma autoridade monetária. Algumas são emitidas e intermediadas por entidades não financeiras e outras não têm sequer uma entidade responsável por sua emissão. Em ambos os casos, as entidades e pessoas que emitem ou fazem a intermediação desses ativos virtuais não são reguladas nem supervisionadas por autoridades monetárias de qualquer país.
4. Essas chamadas moedas virtuais não têm garantia de conversão para a moeda oficial, tampouco são garantidos por ativo real de qualquer espécie. O valor de conversão de um ativo conhecido como moeda virtual para moedas emitidas por autoridades monetárias depende da credibilidade e da confiança que os agentes de mercado possuam na aceitação da chamada moeda virtual como meio de troca e das expectativas de sua valorização. Não há, portanto, nenhum mecanismo governamental que garanta o valor em moeda oficial dos instrumentos conhecidos como moedas virtuais, ficando todo o risco de sua aceitação nas mãos dos usuários.
5. Em função do baixo volume de transações, de sua baixa aceitação como meio de troca e da falta de percepção clara sobre sua fidedignidade, a variação dos preços das chamadas moedas virtuais pode ser muito grande e rápida, podendo até mesmo levar à perda total de seu valor.
6. Na mesma linha, a eventual aplicação, por autoridades monetárias de quaisquer países, de medidas prudenciais, coercitivas ou punitivas sobre o uso desses ativos, pode afetar significativamente o preço de tais moedas ou mesmo a capacidade de sua negociação.
7. Além disso, esses instrumentos virtuais podem ser utilizados em atividades ilícitas, o que pode dar ensejo a investigações conduzidas pelas autoridades públicas. Dessa forma, o usuário desses ativos virtuais, ainda que realize transações de boa-fé, pode se ver envolvido nas referidas investigações.
8. Por fim, o armazenamento das chamadas moedas virtuais nas denominadas carteiras eletrônicas apresenta o risco de que o detentor desses ativos sofra perdas patrimoniais decorrentes de ataques de criminosos que atuam no espaço da rede mundial de computadores.
9. No Brasil, embora o uso das chamadas moedas virtuais ainda não se tenha mostrado capaz de oferecer riscos ao Sistema Financeiro Nacional, particularmente às transações de pagamentos de varejo (art. 6º, § 4º, da Lei nº 12.685/2013), o Banco Central do Brasil está acompanhando a evolução da utilização de tais instrumentos e as discussões nos foros internacionais sobre a matéria – em especial sobre sua natureza, propriedade e funcionamento –, para fins de adoção de eventuais medidas no âmbito de sua competência legal, se for o caso.

Aldo Luiz Mendes Luiz Edson Feltrim
Diretor de Política Monetária Diretor de Regulação, substituto
 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

TULIPAS: A PRIMEIRA BOLHA FINANCEIRA


 



Panfleto da tulipamania , impresso em 1637.

As tulipas começaram a ser cultivadas no Império Otomano (atual Turquia) e foram trazidas para a Holanda no século XVI. Essa flor curvilínea e colorida cresceu junto com a Era de Ouro da Holanda. Elas se tornaram populares em pinturas e festivais. Em meados do século XVII, as tulipas eram tão populares que criaram a primeira bolha econômica, chamada de "tulipomania".

Essas flores caíram no gosto dos nobres e endinheirados da Europa. A mais cobiçada era uma tulipa de pétalas cor-de-rosa, a Semper Augustus. Em 1624, um único botão custava o mesmo que um sobradinho no centro de Amsterdã (1 200 florins). E os preços iam subindo sem freio.

No começo da onda, os floristas só faziam negócios na primavera, quando os bulbos (as raízes de onde nascem tulipas) floresciam. Mas não demorou para que inventassem um jeito de manter o comércio o ano inteiro. Especuladores compravam bulbos dos floristas no inverno e ficavam com eles na esperança de que o preço subisse quando as flores descem as caras. Na verdade eles não levavam o bulbo para casa. Ficavam com um contrato que lhes dava direito ao dinheiro que eles rendessem mais tarde.

Não demorou e passaram a comercializar os próprios contratos. Um investidor que tivesse pago 1 200 florins por um esperando que o bulbo subisse de preço às vezes preferia vender a algum interessado no ato por 1 300 do que aguardar até a primavera. Esse outro sujeito podia achar alguém a fim de pagar 1 400 e vender de uma vez para embolsar o lucro. Uma hora, já tinha gente pegando 1 400 florins emprestados para comprar um bulbo e vendê-lo no dia seguinte por 1 500. Ou seja: conseguindo um lucro sem ter investido nada – é a chamada “alavancagem”. Um holandês que nem tivesse fundos para pagar o empréstimo conseguia levantar recursos para pagar o que devia e ainda embolsar uns trocados.

 Conforme a especulação dos bulbos crescia, o preço aumentava e parecia não ter fim.

A cobiçada Semper Augustus, por exemplo. No auge do boom, em meados de 1630, ela subiu 300%, de 2 mil para 6 mil florins.  Cada meio quilo de tulipa amarela foi de 20 para 1 200 florins.

Esse mercado só se sustentaria se os preços continuassem subindo sempre, indefinidamente.

O crash das tulipas veio logo que descobriram um monte de fraudes – floristas estavam vendendo contratos falsos, que não davam direito a bulbo nenhum. A desconfiança reinou e ninguém mais queria esses papéis.

Quem tinha vendido suas casas e carruagens para investir no dinheiro fácil viu que não teria mais lastro e nem a valorização seria infinita. Os contratos viraram “títulos podres”, sem valor algum, e o desespero tomou conta dos portadores dos títulos que já não encontravam mais compradores.