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Esclarece sobre os riscos decorrentes da aquisição das chamadas "moedas virtuais" ou "moedas criptografadas" e da realização de transações com elas.
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O Banco Central do Brasil esclarece, inicialmente, que as chamadas moedas virtuais não se confundem com a “moeda eletrônica” de que tratam a Lei nº 12.865, de 9 de outubro de 2013, e sua regulamentação infralegal. Moedas eletrônicas, conforme disciplinadas por esses atos normativos, são recursos armazenados em dispositivo ou sistema eletrônico que permitem ao usuário final efetuar transação de pagamento denominada em moeda nacional. Por sua vez, as chamadas moedas virtuais possuem forma própria de denominação, ou seja, são denominadas em unidade de conta distinta das moedas emitidas por governos soberanos, e não se caracterizam dispositivo ou sistema eletrônico para armazenamento em reais.
2. A utilização das chamadas moedas virtuais e a incidência, sobre elas, de normas aplicáveis aos sistemas financeiro e de pagamentos têm sido temas de debate internacional e de manifestações de autoridades monetárias e de outras autoridades públicas, com poucas conclusões até o momento.
3. As chamadas moedas virtuais não são emitidas nem garantidas por uma autoridade monetária. Algumas são emitidas e intermediadas por entidades não financeiras e outras não têm sequer uma entidade responsável por sua emissão. Em ambos os casos, as entidades e pessoas que emitem ou fazem a intermediação desses ativos virtuais não são reguladas nem supervisionadas por autoridades monetárias de qualquer país.
4. Essas chamadas moedas virtuais não têm garantia de conversão para a moeda oficial, tampouco são garantidos por ativo real de qualquer espécie. O valor de conversão de um ativo conhecido como moeda virtual para moedas emitidas por autoridades monetárias depende da credibilidade e da confiança que os agentes de mercado possuam na aceitação da chamada moeda virtual como meio de troca e das expectativas de sua valorização. Não há, portanto, nenhum mecanismo governamental que garanta o valor em moeda oficial dos instrumentos conhecidos como moedas virtuais, ficando todo o risco de sua aceitação nas mãos dos usuários.
5. Em função do baixo volume de transações, de sua baixa aceitação como meio de troca e da falta de percepção clara sobre sua fidedignidade, a variação dos preços das chamadas moedas virtuais pode ser muito grande e rápida, podendo até mesmo levar à perda total de seu valor.
6. Na mesma linha, a eventual aplicação, por autoridades monetárias de quaisquer países, de medidas prudenciais, coercitivas ou punitivas sobre o uso desses ativos, pode afetar significativamente o preço de tais moedas ou mesmo a capacidade de sua negociação.
7. Além disso, esses instrumentos virtuais podem ser utilizados em atividades ilícitas, o que pode dar ensejo a investigações conduzidas pelas autoridades públicas. Dessa forma, o usuário desses ativos virtuais, ainda que realize transações de boa-fé, pode se ver envolvido nas referidas investigações.
8. Por fim, o armazenamento das chamadas moedas virtuais nas denominadas carteiras eletrônicas apresenta o risco de que o detentor desses ativos sofra perdas patrimoniais decorrentes de ataques de criminosos que atuam no espaço da rede mundial de computadores.
9. No Brasil, embora o uso das chamadas moedas virtuais ainda não se tenha mostrado capaz de oferecer riscos ao Sistema Financeiro Nacional, particularmente às transações de pagamentos de varejo (art. 6º, § 4º, da Lei nº 12.685/2013), o Banco Central do Brasil está acompanhando a evolução da utilização de tais instrumentos e as discussões nos foros internacionais sobre a matéria – em especial sobre sua natureza, propriedade e funcionamento –, para fins de adoção de eventuais medidas no âmbito de sua competência legal, se for o caso.
Aldo Luiz Mendes Luiz Edson Feltrim Diretor de Política Monetária Diretor de Regulação, substituto |
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Esclarece sobre os riscos decorrentes da aquisição das chamadas "moedas virtuais" ou "moedas criptografadas" e da realização de transações com elas.
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
TULIPAS: A PRIMEIRA BOLHA FINANCEIRA
Panfleto da
tulipamania , impresso em 1637.
As tulipas começaram a ser cultivadas no Império Otomano (atual Turquia) e
foram trazidas para a Holanda no século XVI. Essa flor curvilínea e colorida
cresceu junto com a Era de Ouro da Holanda. Elas se tornaram populares em
pinturas e festivais. Em meados do século XVII, as tulipas eram tão populares
que criaram a primeira bolha econômica, chamada de "tulipomania".
Essas flores caíram no gosto dos nobres e
endinheirados da Europa. A mais cobiçada era uma tulipa de pétalas cor-de-rosa,
a Semper Augustus. Em 1624, um único botão custava o mesmo que um sobradinho no
centro de Amsterdã (1 200 florins). E os preços iam subindo sem freio.
No começo da onda, os floristas só faziam negócios
na primavera, quando os bulbos (as raízes de onde nascem tulipas) floresciam.
Mas não demorou para que inventassem um jeito de manter o comércio o ano
inteiro. Especuladores compravam bulbos dos floristas no inverno e ficavam com
eles na esperança de que o preço subisse quando as flores descem as caras. Na
verdade eles não levavam o bulbo para casa. Ficavam com um contrato que lhes
dava direito ao dinheiro que eles rendessem mais tarde.
Não demorou e passaram a comercializar os próprios
contratos. Um investidor que tivesse pago 1 200 florins por um esperando que o
bulbo subisse de preço às vezes preferia vender a algum interessado no ato por
1 300 do que aguardar até a primavera. Esse outro sujeito podia achar alguém a
fim de pagar 1 400 e vender de uma vez para embolsar o lucro. Uma hora, já
tinha gente pegando 1 400 florins emprestados para comprar um bulbo e vendê-lo
no dia seguinte por 1 500. Ou seja: conseguindo um lucro sem ter investido nada
– é a chamada “alavancagem”. Um holandês que nem tivesse fundos para pagar o
empréstimo conseguia levantar recursos para pagar o que devia e ainda embolsar
uns trocados.
Conforme a
especulação dos bulbos crescia, o preço aumentava e parecia não ter fim.
A cobiçada Semper Augustus, por exemplo. No auge do
boom, em meados de 1630, ela subiu 300%, de 2 mil para 6 mil florins. Cada meio quilo de tulipa amarela foi de 20
para 1 200 florins.
Esse mercado só se sustentaria se os preços
continuassem subindo sempre, indefinidamente.
O crash das tulipas veio logo que descobriram um
monte de fraudes – floristas estavam vendendo contratos falsos, que não davam
direito a bulbo nenhum. A desconfiança reinou e ninguém mais queria esses
papéis.
Quem tinha vendido suas casas e carruagens para
investir no dinheiro fácil viu que não teria mais lastro e nem a valorização
seria infinita. Os contratos viraram “títulos podres”, sem valor algum, e o
desespero tomou conta dos portadores dos títulos que já não encontravam mais
compradores.
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Ranking com os 20 países que mais receberam investimento estrangeiro direto em 2013
| País | Investimento 2013 (US$ bilhões) | Ranking 2012 | |
|---|---|---|---|
| 1 | Estados Unidos | 159 | 1 |
| 2 | China | 127 | 2 |
| 3 | Rússia | 94 | 9 |
| 4 | Ilhas Virgens Britânicas | 92 | 4 |
| 5 | Hong Kong | 72 | 3 |
| 6 | Canadá | 64 | 10 |
| 7 | Brasil | 63 | 5 |
| 8 | Singapura | 56 | 7 |
| 9 | Reino Unido | 53 | 6 |
| 10 | Irlanda | 46 | 11 |
| 11 | Austrália | 40 | 8 |
| 12 | México | 38 | 19 |
| 13 | Espanha | 37 | 13 |
| 14 | Alemanha | 32 | 40 |
| 15 | Luxemburgo | 31 | 198 |
| 16 | Índia | 28 | 15 |
| 17 | Holanda | 22 | 26 |
| 18 | Chile | 20 | 12 |
| 19 | Bélgica | 19 | 200 |
| 20 | Indonésia | 19 | 16 |
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
MERPOSA
No início dos anos 70, época do
milagre brasileiro, a Bolsa de Valores de São Paulo passava por momentos de
euforia: pessoas ficavam ricas da noite para o dia, pelo menos no boato.
Havia inúmeros lançamentos de
empresas. Muitas delas não possuíam nenhum fundamento técnico. A bolsa não
tinha tanto controle e exigências como hoje. Os negócios eram feitos via
telefone e pregão viva voz, as notícias econômicas eram escassas e sem muita
qualificação. Ou seja, o mercado era facilmente manipulado. Bastava espalhar
uma boato qualquer.
Até que surgiu uma brincadeira
entre os operadores, sobre um lançamento de uma empresa espetacular, que iria
enriquecer rapidamente quem as comprasse. Tratava-se da “MERPOSA – MERDA EM PÓ
S/A”.
A brincadeira correu pelas mesas
de operação das corretoras e bancos e até surgiram interessados na aquisição
das tais ações.
Época de um mercado pequeno, com pouca
regulação, fechado e baixo nível de informações.
O termo “MERPOSA”, usado até
hoje, transformou-se em sinônimo de empresas ruins, cujo preço de tão
depreciados viram “pó”.
Planos de Saúde/Seguro Saúde:Um desafio para o planejamento de aposentadoria.
Ao elaborar um planejamento de aposentadoria, um dos itens mais difíceis e
complexos de lidar, são os custos com a saúde.
Não sabemos quanto tempo viveremos e que tipo de doença poderá nos
acometer, e quais os cuidados e medicamentos terão que dispor. Sobretudo,
sabemos que, estatisticamente, estamos vivendo mais tempo, porém nem sempre com
a qualidade e padrão que gostaríamos.
Somadas as essas incertezas, temos um ponto crucial: quanto nós
gastaremos com o plano de saúde ou seguro saúde?
Aqui tenho que abrir um parêntese. Segundo o IBGE 75% dos brasileiros não
possuem nenhum plano ou seguro saúde, nem planejamento de aposentaria
complementar. Ou seja, dependerão exclusivamente da aposentadoria oficial e do
SUS. Situação cada vez mais preocupante, em face da estrutura deficiente e
crítica das instituições públicas e falta de projetos de médio e longo prazo.
Os planos de saúde possuem reajustes de preços controlados pela ANS –
Agência Nacional de Saúde, fato que torna um pouco mais fácil de projetar o
orçamento pessoal, pois normalmente esses reajustes acompanham de perto os
índices de inflação. Por outro lado, estes planos estão fadados ao fracasso e
extinção. As operadoras não querem mais oferecer esse produto. Muitos deles
estão em dificuldades financeiras e dão coberturas limitadas, descredenciam
hospitais, laboratórios e profissionais. Remuneram mal os prestadores, atrasam
o pagamento, glosam pedidos médicos e dificultam o acesso aos serviços.
Por outro lado, o seguro saúde tem uma rede de prestadores maior e mais
qualificada. As operadoras preferem trabalhar essa modalidade de serviço, pois
fogem à regra da ANS de reajuste de preços. Estes são praticados de acordo com
a sinistralidade da carteira, e esses dados não são de fácil acesso dos
segurados. Então eles praticam os preços que bem lhes convier. Nos últimos anos
foram sempre muito acima da inflação.
Se acaso o cidadão for pagar por um serviço médico, nos deparamos com um
absurdo ainda maior: os preços são diferenciados. Exames laboratoriais,
principalmente. As operadoras remuneram, pelo mesmo exame valores infinitamente
menores do que um usuário individual. As consultas médicas, da mesma forma. Na
média, uma consulta custa R$250,00 em São Paulo, as operadoras remuneram os
prestadores em R$50,00!Uma colonoscopia custa cerca de R$10.000,00 (dez mil
reais), caso você não tenha um plano qualquer; as operadoras reembolsam aos
prestadores cerca de R$ 800,00 (oitocentos reais). São diferenças absurdas, sem
nenhum respaldo jurídico, lógico ou financeiro. As autoridades fingem que não
sabem. Segundo o código do consumidor isso é proibido. Mas nada é feito para coibir
essa prática conhecida por todos.
O grande desafio é projetar os custos com o seguro: temos que trabalhar com
uma grande margem de segurança para que no futuro não tenhamos uma desagradável
surpresa ao perceber que a conta não fecha.
Observamos que o governo é omisso a esse respeito. As informações
estatísticas são conhecidas: o envelhecimento da população, o estrangulamento
do sistema público de saúde, as dificuldades dos planos tradicionais de saúde e
as baixas remunerações da Previdência Social. O Estado não cria mecanismos de
incentivo aos planos de saúde e seguro saúde, que podem desonerar a rede
pública. Não promovem alternativas a essas modalidades ineficientes e onerosas.
Corremos o risco de um empobrecimento ainda maior da população que está envelhecendo,
triste e doente.
O que assistimos é uma falta de respeito aos cidadãos e a constituição.
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
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